O município de Estreito no Maranhão vive mais um momento perigoso para sua história administrativa. Em meio a um cenário de colapso nos serviços públicos, a insistência do prefeito Léo Cunha em aprovar cartões corporativos milionários, com apoio direto do presidente da Câmara, reacende um alerta que vem do próprio Maranhão: Turilândia.
Após a tentativa frustrada de votação no dia 31 de dezembro, o presidente da Câmara Municipal, Helismar Moreira, voltou a formalizar a convocação dos vereadores para uma sessão extraordinária para o dia 05 de janeiro, em atendimento ao ofício do prefeito, alegando “urgência e relevância social” para aprovar o projeto que autoriza o uso de cartões corporativos pelo Executivo. A justificativa, no entanto, não convence diante da realidade enfrentada pela população: hospital sem insumos básicos, escolas sucateadas e um município financeiramente pressionado por dívidas.
O alerta não é retórico. O Maranhão acaba de assistir ao escândalo de Turilândia, onde a falta de controle e fiscalização sobre instrumentos financeiros semelhantes culminou no desvio de R$ 56 milhões e na prisão de prefeito, primeira-dama, vereadores e outros agentes públicos. O caso expôs como decisões apressadas, somadas à fragilidade do Legislativo, podem resultar em prejuízos irreparáveis à população.
Mesmo diante desse exemplo recente e grave, o presidente da Câmara de Estreito insiste em avançar com um projeto que não apresenta critérios claros de transparência e controle. A inclusão de um segundo projeto na pauta, voltado à agricultura, é vista apenas como tentativa de diluir o foco sobre o verdadeiro objetivo da sessão.
A postura do presidente da Câmara passa a ser o ponto central da crise. Ao viabilizar a tramitação acelerada de uma matéria tão sensível, Helismar Moreira deixa de exercer o papel de fiscal do Executivo e expõe o Legislativo ao desgaste e desconfiança popular.
Diante disso, lideranças locais começaram a reagir. O empresário e agropecuarista Zé Maria Pernambuco, ex-candidato a prefeito, iniciou a mobilização da população para acompanhar a sessão e pressionar os vereadores a rejeitarem o projeto. O movimento sinaliza que a sociedade não pretende aceitar decisões tomadas sem debate e à revelia do interesse público.
Turilândia mostrou o preço da omissão. Estreito ainda tem a chance.