A situação financeira de Conceição do Lago-Açu está no centro de questionamentos sobre a administração da prefeita Professora Cici. Segundo os dados apresentados para esta reportagem, sete inscrições de natureza tributária e previdenciária somavam R$ 103.709.823,01, com valores atualizados em 1º de outubro de 2026.
O montante é superior aos R$ 70 milhões mencionados pela prefeita, segundo o material. A diferença precisa ser explicada com documentos que detalhem a origem de cada débito, os períodos a que se referem, eventuais parcelamentos e os valores já pagos ou ainda pendentes. O total registrado, por si só, não permite atribuir toda a dívida a uma única gestão.
As informações encaminhadas à reportagem também mencionam que, entre 1º e 14 de outubro de 2026, o município teria recebido R$ 1.668.488,34 em recursos da área da Saúde e registrado um débito de R$ 454.846,56 identificado como DARF.
O material aponta ainda pagamentos, no dia 9, às empresas FACE Comércio e Representação Ltda., de mais de R$ 30 mil; T. Z. M. dos Santos, de mais de R$ 150 mil; G. P. Caxias Ltda., de mais de R$ 200 mil; e Virtual Technologies Investimento S/A. Os valores exatos e a natureza dos pagamentos devem ser conferidos nos extratos e documentos oficiais.
Segundo as informações apresentadas, os valores teriam sido descontados ou debitados das contas bancárias, e não bloqueados judicialmente. São situações diferentes, e os documentos bancários e contábeis podem esclarecer a origem e a justificativa de cada movimentação.
Outro questionamento diz respeito à passagem de Cici pela Secretaria Municipal de Educação. Conforme declaração atribuída a ela, a prefeita teria deixado o cargo em abril de 2024 para disputar as eleições municipais. No entanto, o material afirma que seu nome ainda aparecia como responsável legal por uma conta da Prefeitura no Banco do Brasil em dezembro daquele ano.
A Prefeitura deve esclarecer se o registro estava atualizado, por que o nome permaneceu vinculado à conta e se houve movimentações durante o período. A confirmação depende da consulta aos registros bancários e administrativos.
O material também relata acusações de perseguição política e ameaças envolvendo a prefeita, o vereador Truman Junior, o marido da prefeita e pessoas apontadas como aliadas. As versões são conflitantes e, até que sejam verificadas, devem ser tratadas como alegações. Os envolvidos têm direito de apresentar suas versões, e eventuais responsabilidades cabem às autoridades competentes.
Entre os pontos que aguardam explicação estão a composição dos R$ 103,7 milhões, os parcelamentos negociados, os pagamentos realizados, os débitos nas contas municipais e a situação do cadastro bancário citado. Também foi levantado no material o questionamento sobre um possível empréstimo de R$ 20 milhões para obras de pavimentação e energia solar; os termos e a finalidade da operação precisam ser confirmados em documentos oficiais.
A prefeita e a Prefeitura têm o direito de apresentar esclarecimentos e documentos. Até o momento, o material fornecido para esta reportagem não inclui uma resposta oficial da gestão. A divulgação dos registros e das explicações de todas as partes é necessária para que a população possa avaliar os fatos com clareza.